quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Pai

Meu pai é diferente dos pais que eu conheço. Minha mãe sempre diz que ele é o filho homem que ela não teve - meu irmão mais velho nesse caso. E acho que ela tem razão.
Dizem que eu sou a cara do meu pai, que pra ser igual a ele falta só o bigode – porque meu pai, gaúcho que é, ostenta um bigode ao melhor estilo Paixão Côrtes, salvo meu exagero.
Meu pai gosta de falar alto, estufar o peito e cantar de galo. Mas, na verdade, não passa do meu irão mais velho, filho homem de minha mãe. Não possui maldade no coração, mas magoa mesmo sem querer. Sempre tem razão – invariavelmente – e reclama com facilidade.
Meu pai nasceu no interior, mesmo lugar onde enterrou seu umbigo – literalmente – lá debaixo da porteira que dá acesso à mangueira dos animais. Mas, meu pai tem estilo pop-star, não pode ver um flash, um microfone, uma câmera. Ele gosta de aparecer. O que ele não se dá conta é que não adianta aparecer para os outros enquanto deixamos nossos mais sinceros fãs esquecidos nos bastidores...
Meu pai sempre teve tempo para ajudar o próximo, faz muito por nós também, mas não sem antes pestanejar. Ele acha que sempre fez o suficiente por nós, e como nós não damos ibope como a platéia alheia, reclama.
Meu pai é sonhador. Passa a vida planejando coisas fabulosas, mas esquece de realizar. E a vida vai passando. E o tempo vai passando e tudo que passa, um dia acaba. Então, é preciso fazer, realizar, concretizar para continuar sonhando e viver em busca de realizá-los, cada um desses sonhos.
Meu pai não tem nenhum filho, mas chama suas três filhas de Juca. O cachorro ele chama de sabugo – sim aquilo mesmo que sobra do milho, o sabugo. Ele faz coisas que não entendo, não aprovo e bato pé, mas ele é pai e pai deve saber o que faz.
Meu pai é bastante ingênuo e muita gente abusa disso. Acho que aí também sou muito parecida com ele. A diferença é que vou aprendendo e procuro não repetir os mesmos erros.
Meu pai não tem muito jeito para aconselhar, dar carinho ou apoiar, mas tem amor no coração – eu sei que tem. Ele deve ser assim porque nunca teve amor do pai dele e nunca pôde ser filho. De certo, é por isso que ele é como o filho homem de minha mãe hoje, porque nunca pôde viver suas fases corretamente e não aprendeu a realizar os sonhos, só a sonhá-los.

Eu amo meu pai

Feliz Aniversário – 16/08

8 comentários:

Caco disse...

Que bonita homenagem, Kassie! beijo

Preta disse...

a delicadeza das coisas me comove, sempre, e cada vez mais. razão e sensibilidade juntos aqui, como no livro aquele

Ronald Baumgarten disse...

"A diferença é que vou aprendendo e procuro não repetir os mesmos erros."

Mas as vezes repete né moranguinho...

E da-lhe Joanei... Ate ja sei o que vo da de presente pra fera... um SABUGO... ha ha ha ha

Bjus

Rico disse...

Parabéns!!!

Rochele disse...

Nossa que texto lindo. Cheio de emoção, de reconhecimento. Mesmo que vocês tenham seus desencontros ainda se entendem.
Bjo

RÊ disse...

Que texto lindo!! Mto sincero!!até de+!! hahaha...tadinho do teu véio...hahaha.
brincadeirinha,mto lindo mesmo!!!

Aline Sor disse...

passando pra marcar presença...

bonitos textos..na grande maioria subliminares..espero que nunca nenhum caia no vestibular perguntando "o que a escritora quis dizer com essa frase", pq nem eu que sou sua melhor amiga (/convencida) ia acertar! hahahahaha

bjs chuchu...saudades de ti!

Anônimo disse...

legal!